O silêncio na clareira era quase palpável, preenchido apenas pelo som suave das folhas balançando ao vento. Todos olhavam para o céu, onde o rastro de energia dourada ainda cintilava, se dissipando lentamente. A sensação de paz era real, mas uma tensão sutil ainda pairava no ar.
T-35 apertou o abraço em HZW, como se quisesse se certificar de que ele realmente estava ali. Os olhos de HZW brilhavam como o oceano iluminado pelo sol, e ele retribuiu o abraço com força.
— Também te amo, mano — disse HZW, tentando conter o choro. — E agora podemos fazer isso juntos de verdade. Como antes.
Donny sorriu e cruzou os braços, inclinando-se levemente para eles.
— Vocês dois... Se quiserem um momento de irmãos emocionados, a gente pode dar privacidade.
Rebecca balançou a cabeça, mas o sorriso suave no canto de sua boca não passou despercebido. Mesmo após tantas batalhas, era bom ver aqueles dois juntos.
— Vamos aproveitar essa paz enquanto podemos — disse Rebecca, ainda observando a clareira. — Algo me diz que isso não vai durar muito.
Diab se afastou do grupo, o olhar fixo no horizonte, onde o brilho dourado finalmente desapareceu. Seu semblante era sério, os olhos vermelhos como brasas refletindo preocupação.
— Você está certo, Rebecca — disse ele em tom baixo. — Isso não acabou. O Elementar pode ter cedido por enquanto, mas forças maiores se movem além do que vimos aqui.
Querub virou-se na direção de Diab, sua expressão ainda calma, mas com um brilho de preocupação.
— Você sentiu isso também, não foi? — perguntou Querub, olhando para o irmão com um ar compreensivo.
— Senti — respondeu Diab, apertando os punhos. — Aquela energia... não era só do Elementar. Alguém mais estava observando.
Rebecca arregalou os olhos, girando para encarar Diab.
— O quê? Quem mais poderia estar envolvido nisso?
T-35 deu um salto e caiu ao lado de Diab, batendo as mãos nos quadris. — Ah, não me diga que tem "vilão escondido na sombra" agora. Já passamos pelo chefão, não? Isso não é um jogo de fases, galera.
— Quem dera fosse um jogo, garoto — disse Diab, lançando-lhe um olhar sério. — Não estamos sozinhos. Não estivemos desde o início.
O grupo ficou em silêncio. Mesmo T-35, sempre cheio de energia, olhou para o chão, pensativo.
Donny foi o primeiro a quebrar o silêncio. — Se tem alguém lá fora puxando as cordas, então precisamos nos preparar. Mas, antes disso, devemos cuidar de Ian. — Ele apontou para o garoto, que ainda estava sentado próximo a uma árvore, ofegante, mas agora claramente mais forte do que antes.
Querub foi até Ian, ajoelhando-se à sua frente. Com uma mão suave sobre o ombro do menino, ele sorriu.
— Consegue se levantar, Ian? Seus poderes estão de volta. Seu espírito também.
Ian ergueu os olhos para Querub, com uma expressão de cansaço e determinação.
— Consigo, sim. Eu... eu só preciso de um momento. — Ele respirou fundo, o brilho dourado nos seus olhos voltando lentamente. — Eu nunca pensei que pudesse sentir isso de novo.
— É assim que começa a cura — disse Querub, ajudando-o a se levantar. — Vamos dar um passo de cada vez.
HZW olhou para o céu, seus olhos fixos em algo que só ele parecia ver.
— Eles estão vindo.
Rebecca olhou para ele, os olhos estreitos.
— Eles quem?
— Não sei, mas tem algo no céu. Algo grande. — HZW apontou para o céu, onde uma linha fina e preta cortava as nuvens, como se o céu estivesse rachando. — Não parece natural.
Todos levantaram os olhos.
A rachadura no céu se alargou, revelando um brilho violeta intenso. Não era apenas uma rachadura. Era um portal.
T-35 franziu o cenho.
— Ah, não... Por favor, não. Não agora. Eu acabei de me transformar em jato de novo. Não posso fazer isso duas vezes seguidas!
Uma energia densa começou a sair do portal, semelhante a uma névoa negra, mas com uma viscosidade que se agarrava ao ar. O cheiro de enxofre e ferro queimado preencheu o ambiente. Rebecca imediatamente pegou sua arma e a carregou, seus olhos fixos no portal.
— Posições de combate! Não sabemos o que está vindo, mas eu garanto que não é nada amigável.
O portal pulsou três vezes, como um coração batendo.
Diab deu um passo à frente, as sombras ao redor de seus pés se alongando e se enrolando em torno de suas pernas. Seus olhos vermelhos brilhavam intensamente.
— Não se preocupem. Seja o que for, vamos cortar a raiz dessa vez.
Querub levantou as duas mãos, invocando uma barreira de luz ao redor de Ian e Donny.
— Isso vai proteger vocês. Deixe o resto conosco.
Donny socou o ar, o rosto contorcido em frustração. — Eu posso lutar também, não precisa me proteger o tempo todo.
Querub olhou para ele com serenidade.
— Eu sei que pode, Donny. Mas se você cair, não teremos ninguém para salvar Ian. E não posso deixar isso acontecer.
O portal se abriu por completo.
De dentro, três figuras começaram a se materializar. Duas tinham a forma de crianças, enquanto a terceira era uma figura imensa e encapuzada, de pelo menos três metros de altura.
— Quem... — Rebecca começou a perguntar, mas parou assim que a figura encapuzada olhou diretamente para ela.
Os olhos da figura eram duas órbitas de luz roxa incandescente.
— Vocês interferiram demais — disse a figura, sua voz soando como múltiplas vozes ao mesmo tempo. — Eu avisei o Elementar. Agora ele não pode mais protegê-los.
As duas crianças avançaram, seus rostos pálidos como cera, mas com olhos completamente negros. Elas abriram as bocas, e uma fumaça negra saiu, distorcendo o ar ao seu redor.
— Esses são os Sombrios — disse Diab, cerrando os punhos, suas sombras ganhando forma de lâminas. — Eles não falam. Só obedecem.
Rebecca mirou na figura encapuzada, o dedo no gatilho. — E você? Quem é você?
A figura encapuzada deu um passo à frente, o chão abaixo de seus pés rachando.
— Eu sou o Vigia. E agora, eu vigio vocês.
O coração de Rebecca acelerou. — Isso não soa como uma coisa boa.
— Não — disse Querub, com uma expressão mais séria do que o normal. — Ele não está aqui para observar. Ele está aqui para julgar.
Os Sombrios avançaram.
Rebecca disparou contra eles, mas as balas foram engolidas pela névoa negra ao redor de seus corpos. Diab mergulhou nas sombras, surgindo atrás de uma das crianças e golpeando-a com suas lâminas escuras.
— Eles são rápidos, mas eu sou mais — disse ele, com um sorriso de confiança.
T-35 se transformou em jato novamente, disparando rajadas de energia contra a névoa.
— Certo, "Vigia", vamos ver quem vigia quem!
O Vigia não se moveu.
— Eu não vim lutar. Vim julgar. Se forem dignos, permanecerão. Se falharem, serão esquecidos.
HZW levantou a mão, criando uma barreira de energia brilhante ao redor do grupo.
— Ninguém vai ser esquecido hoje, Vigia. — Sua voz tinha uma firmeza que ninguém havia visto antes.
A batalha começou.
Querub ergueu as duas mãos, conjurando uma esfera de luz azul intensa que crescia a cada segundo. Diab, ao seu lado, fez o mesmo, mas com uma esfera de sombras negras. As duas energias opostas começaram a girar uma ao redor da outra, formando uma espiral.
Rebecca engoliu em seco.
— O que estão fazendo?
Querub e Diab olharam para o grupo e falaram ao mesmo tempo:
— Estamos encerrando isso.
A espiral de luz e sombra explodiu, iluminando toda a floresta.
CONTINUA...
Por Alcí Santos
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