Entrei na tal cabine cinquenta e dois com Billy como guia. Ele parecia estar sendo controlado mentalmente. A espada estava atrás de mim flutuando e apontando para minhas costas. Não pude recusar aquele convite imposto.
Logo notei um homem sentado em uma cadeira que ao me notar, me perguntou se eu queria algo para beber. Eu recusei.
Foi então que Billy sentou-se em um sofá próximo e a espada desceu até o chão.
O homem parecia ter uns 35 anos aproximadamente e tinha cabelos curtos mas bem loiros.
Ele então pediu-me gentilmente para sentar apesar da coerção anterior. Sentei-me em uma das cadeiras e comecei a olhar para aqueles olhos azuis que me deixavam extasiada.
O homem disse que se chamava Rudolph e que era imortal de certa maneira.
Eu olhei pra ele e dei um sorriso e perguntei se ele tinha ganhado algum prêmio Nóbel ou era parte de alguma academia letrista.
Ele respondeu que não era desse tipo de imortalidade que estava falando e sim de que não podia morrer.
Olhei pra ele um pouco assustada mas depois pensei que ele estava sendo um piadista eventual.
Ele me olhou e disse que não me culpava por não acreditar, mas que ele era o único homem no mundo que não podia morrer.
Ele continuou dizendo que quando recebeu a espada ela era uma cruz dourada de ouro de 15.000 quilates equivalente a três quilos. Ele recebeu no ano de 1214 quando estava hospedado no Mosteiro de Santa Cruz de Alcobaça em Portugal. A cruz foi ofertada pelo rei Sancho I. O monge que administrava o mosteiro, estava desconfiado que o rei queria culpá-lo por ambição já que tinha vida humilde e aceitar duas cruzes de ouro seria a confirmação disso, porém não teve como negar um presente do rei.
Foi então que falou com Rudolph e deu-lhe uma das cruzes e pediu para fugir na madrugada. Ele diria futuramente ao rei que um hóspede havia roubado uma delas. Assim ficou sendo para todos os efeitos que o rei tinha ofertado apenas uma cruz e nada aconteceu com o monge.
O religioso porém não sabia que essa cruz que havia ofertado a Rudolph era proveniente da Arca da Aliança, fato que provavelmente nem o rei sabia ou ofertou ao mosteiro para se livrar de alguma ordem templária.
Vinte e quatro horas após ter recebido a cruz, sentiu a energia que o tornou imortal. Teve várias situações que o levariam à morte mas ele se tornara invulnerável e a cruz passou a poder se transformar em qualquer objeto de seu desejo. Disse também que apesar que ficou bilionário porém tinha sempre que lutar contra o mal e sempre fazer justiça pois se assim não fosse, tinha pesadelos terríveis. A cruz mudou a vida dele e passou a ser um bom homem.
Como passou a ser imortal, infelizmente teve muitas tristezas na vida pois viu pessoas que vivera feliz, esposa e filhos morrerem de velhice. Esse é um preço a se pagar por isso.
Agora depois de me contar tudo isso, ele queria me passar a espada pois queria viver como um mortal daqui para frente. Se eu recusasse, ele me entregaria para Bernard já que eu era uma criminosa.
Quando ele mandou eu pegar a espada no chão e tocar na jóia vermelha de seu cabo que também continha uma azul, fiquei acuada sem saber o que fazer. Ser presa e pegar prisão perpétua ou passar por tudo isso que o homem disse?
Não pensei duas vezes, me levantei, fui até a espada, mas antes de pegá-la, olhei pra Billy e depois para Rudolph. O homem notou o que eu queria e me disse para colocar a mão do menino na jóia azul no cabo da espada ao mesmo tempo que eu colocasse a minha na vermelha. Senti muito por Billy, mas sempre teríamos um ao outro como mãe e filho. O problema é que ele não cresceria.
Foi aí que fiz o que tinha que ser feito. E a espada se transformou na cruz de ouro. Peguei a mesma admirando-a e perguntei a Rudolph o que acontecera.
Ele disse que eu estava em processo de imortalidade assim como Billy e ele tinha se livrado do poder e poderia viver uma vida normal com sua fortuna. Disse pra eu esperar nesta cabine com Billy durante vinte e quatro horas. Quando a cruz se duplicar já terei o poder junto com o menino.
Se despediu e disse que iria para outra cabine que alugara. Saiu, bateu a porta e fui lá e tranquei. Pus a cruz em cima da mesa e Billy perguntou já fora do transe que cruz era essa.
Respondi que era a cruz que ia nos fazer feliz para o resto de nossas vidas. Será?
CONTINUA...
POR ALCÍ SANTOS
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