Hoje, um acontecimento peculiar ocorreu, embora eu esteja habituado a situações atípicas, convivendo com meus dois amigos singulares. Sempre que uma criança está envolvida, minha atenção se aguça imediatamente. Não é comum nos envolvermos em tais casos, mas desta vez, a situação era inescapável, especialmente pelo fato de a criança ser desamparada. Encontramo-la à beira da morte, durante nossa busca por um novo grupo que se estabeleceu na região. Aparentemente, seu pai era um mafioso assassinado junto com sua família, e ele, milagrosamente, escapou por um túnel secreto construído durante a Segunda Guerra Mundial para uma possível fuga da família em caso de problemas com Hitler. Como isso não ocorreu, o túnel foi esquecido por anos até ser descoberto pelo garoto.
A família dele deve ter desagradado a Máfia local, pois após a fuga do garoto pelo túnel, a casa foi incorporada aos bens da organização. O menino, contudo, recusou nossa ajuda para reaver a propriedade, talvez temendo nos envolver com a máfia ou ser reconhecido.
Foi um desafio convencê-lo a aceitar nossa assistência. Luan precisou apresentar Prionailurus, um gato falante, pois os miados não foram suficientes. Desde então, parece ter se formado um vínculo de amizade entre o garoto e o gato, que nos informa que o menino ainda precisa confiar mais em nós. Ele não compreende como Prionailurus pode falar, e nem nós. Até onde sei, gatos apenas miam. A natureza de Luan e do gato permanece um mistério, mas enquanto buscamos respostas, precisamos lidar com problemas no bar e com a polícia, contando com alguns amigos policiais para evitar complicações. Não que precisemos deles, mas não queremos que suspeitem de Luan ou do gato caso utilizem seus poderes.
Hoje, alguns indivíduos distintos da maioria frequentaram o bar. Elegantes e fortemente armados, ignoraram-me quando tentei abordá-los. Ao elevar minha voz, declarando ser o proprietário do bar, um deles apontou uma metralhadora militar para minha cabeça, questionando se eu desejava ter meus miolos espalhados pelo chão. Tive que ceder. O homem subiu ao palco, e após disparar alguns tiros para o alto, o pânico se transformou em um silêncio sepulcral.
Ele anunciou que o Vik's Bar agora pertencia à Máfia Negra e que, a partir do dia seguinte, apenas quem pagasse um passe de cem dólares poderia entrar, além de enfrentar um aumento de cinquenta por cento nos preços de comidas e bebidas, que seriam obtidas por um fornecedor de qualidade inferior.
Após descer do palco, o homem me expulsou do bar com sua arma, deixando seus comparsas supervisionando o estabelecimento. Nunca havia presenciado um grupo criminoso tão audacioso, mas naquele momento, impotente, tive que me retirar, surpreendido pela situação.
CONTINUA...
POR ALCÍ SANTOS
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